Dossel Inaugura Nova Fase com faixa “Deixa”, parceria com Silvia Machete | Música Pavê

foto por daryan dornelles

Roberto Barrucho é um artista de encontros. “O trabalho tende a crescer. Gosto de ter essa visão compartilhada”. Seu olhar sensível à música e as relações humanas são uma marca do seu projeto solo Dossel, que se reflete nas composições e nas parcerias promovidas pelo músico e compositor carioca. Em conversa com o Música Pavê, ele fala sobre seu último lançamento, Deixa, em parceria com Silvia Machete e a produção do seu próximo disco.

Dois anos após o seu elogiado álbum de estreia, Ouvindo Vozes, o músico reflete sobre o seu trabalho como artista e a recepção desse primeiro trabalho: “Eu fico muito feliz quando vejo que a música está sendo ouvida na África do Sul, na Europa, por lugares remotos. Você fala caramba, como é que pode uma coisa que eu fiz aqui, para minha galera, está reverberando. Isso para o artista independente é muito legal, para além de um reconhecimento maior e de grana”. 

Sua mais nova faixa, com composição de Lizandra Silva e produção do próprio músico e de Jonas Sá, fala sobre “fluidez, liberdade, desejo e entrega”. “A música já nasce na parceria né? A letra da Lisandra foi, assim, muito de imediato. É uma coisa que você bate e fala ‘caraca’. A partir da letra, veio já a primeira melodia e eu segui ali no fluxo, gravei no celular mesmo a primeira ideia que depois só veio a ganhar melhores contornos, ambientação, o arranjo maior. Mas a canção mesmo, letra e música, nasceu assim (estalo de dedos)”. Sobre a parceria, o cantor comenta: “Eu não a conhecia pessoalmente, mas o trabalho dela já era uma coisa que eu ouço há muito tempo, até a figura dela, a energia que ela transmite e tudo mais. E aí ela topou, assim, sem ouvir ainda como era a melodia cantada. Eu estava tão ‘til’ que eu mandei só a música e a letra. E também, para além da timidez, eu queria que ela criasse junto”. Mas, para o músico, “a cereja do bolo” foi o clarone de Joana Queiroz: “A música ganhou ainda mais um elemento que eu considero imersivo, que ajuda a criar a atmosfera, eu penso a música muito a partir de ambientes e sensações, contribuiu muito”.

Os últimos trabalhos do músico foram atravessados pela pandemia. Seu primeiro álbum foi lançado seis meses antes de tudo parar e seus últimos singles foram todos produzidos neste período. “Para a criatividade, para ter uma energia disponível de fazer coisas… não necessariamente bonitas, mas que sejam profundas e que você queira que aquilo chegue no outro, a pandemia ainda está atravessando a gente, ainda é um momento de muita reclusão”. Sobre a nova faixa, ele comenta, “é um pouco mais alegre no sentido de ‘dançante’, mas também tem ali suas questões humanas e relacionais. Nos outros singles, você pode ver que tem uma coisa mais densa, mais noturno, que já tem no primeiro trabalho, mas eu acho que, se não fosse a pandemia, eu teria ido para um outro lugar”.

Com uma carreira que está apenas começando, Dossel possui um olhar bastante sensível à produção musical independente e vem construindo dentro da sua jornada um espaço de maior diversidade e oportunidade para outros artistas: “Eu venho desse lugar da produção cultural periférica independente e isso fica num lugar muito delicado, que as políticas públicas não dão conta de atender. Então há todo um contexto aí da pessoa precisar conseguir pagar o aluguel, ter uma grana para fazer o mercado do mês e ajudar os pais muitas vezes, enfim, essa galera que eu tento trazer junto, sabe? Com o meu projeto eu consigo trazer eles para usufruírem também. Estou tentando criar um cenário que seja mais favorável para todo mundo envolvido”. Isso parte também do que vem aprendendo desde que iniciou em carreira solo: “eu fui entendendo que esse lugar do artista requer uma série de profissionais envolvidos, uma série de processos e tudo mais para aquilo de fato alcançar e chegar nas pessoas”.

Seu próximo disco, que deve chegar no primeiro semestre de 2022, já possui três singles que nos dão a atmosfera desse novo trabalho, no qual Barrucho trabalha as reflexões deste momento de reclusão e busca por autocuidado. “Sempre trago isso da gente se olhar, da gente se integrar à nossa sombra, que são as coisas que a gente nega, que quer jogar para debaixo do tapete, mas que também fazem parte da gente. Então, às vezes fica meio nebuloso, mas agora eu acho que estou caminhando para fechar esse segundo trabalho”.

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